Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Março 30 2009

JARDINS CINZENTOS

 

Já rimos e sonhámos juntos

Enquanto a primavera entrava

Passeávamos p'los seus jardins

E tão juntos ficávamos

Saboreando a quentura do sol

Que confortava nosso amor

 

Eram tempos

E que tempos

Em que nossos sonhos

Nos levava além do futuro

 

Em nosso peito

Se abriam janelas

Onde observávamos

Para lá das montanhas

As avezinhas que voavam

Mais altas que as nuvens

 

Riamos de tanta alegria

Quando uma ave atrevida

Pousava no galho da árvore

Que expunha nossos corações

Como um sábio poema à união

E nós, o murmurávamos de cor

Que felizes éramos!

 

Hoje as janelas do nosso peito

Se encontram encerradas

As montanhas despareceram

E a separação incompreensível

Surgiu nos nossos jardins

Agora tão cinzentos como o céu

Dum Outono feio e frio

 

Fernando Ramos

 

 

 

publicado por Fernando Ramos às 19:25
editado por appoetas em 06/11/2010 às 06:54

Março 21 2009

 

O POETA
 
Ingrata, a profissão de ser Poeta.
Salário é diferente e agrada pouco:
- O Mundo paga a dor da alma inquieta
com o título honorífico de louco…
 
Ingrata, a profissão de ser Poeta:
- a Arte é, para tantos, vício oco!
Ignoram quanto deve à voz do esteta
aquele que lhe dá desprezo em troco…
 
A vida que seria, na vivência,
sem essa percepção da sua essência,
que é dada pelo grito da Poesia?!
 
Poeta, é o pilar da ponte aérea
que liga, com os fios da matéria,
o Nada com o Todo em sinfonia!...
            Cacilda Celso
            (In: “ O Projecto Homem”)
 
 
publicado por appoetas às 13:25

Março 21 2009

PARA TI...ULISSES DUARTE!
 
MOTE
 
Não há poetas sagrados
E “malditos”… muito menos!
Os poetas são terrenos
São mortais iluminados.
Há poetas consagrados
Que nunca morrem… jamais!
Em livros, cantos, jornais…
Suas obras são lembradas,
Por grandes vozes cantadas,
Em suma… são imortais!
 
I
Diz-me poeta que escreves
Letras que a alma te dita…
Porque te morde a desdita
E a morrer… tu te atreves!?
Há livros que tu nos deves
E q'remos sejam cobrados!
Teus poemas são legados
Que o mundo quer receber…
Embora deva dizer
Não há poetas sagrados.
 
II
Na minha secreta estante
Onde guardo os sonhos meus
Tenho lá poemas teus
Cuja leitura é constante.
A tua escrita excitante
De amor e saber tão plenos…
São como voos serenos
Pois como tu, os poetas,
Não são vagos nem patetas
E “malditos”… muito menos!
 
III
Sai desse sono profundo
Que dormes longe de nós…
Sem ti sentimo-nos sós
Cá deste lado do mundo.
Volta pra nós, “vagabundo”…
Avista nossos acenos…
Segue estes ventos amenos,
Volta ao teu canto guardado…
Teu lugar é deste lado…
Os poetas são terrenos.
 
IV
São cepa, são casta pura,
Vinho de boa colheita…
Remédio para a maleita
São água que a pedra fura.
Um bom poeta perdura
Não tem os dias contados…
E mesmo os mal amados
Nos reinos da exclusão...
São voz do povo… razão…
São mortais iluminados.
 
V
Há sempre alguém que não queira,
Há sempre vozes contrárias,
Há muitas mentes “primárias”
Visando a própria cegueira.
Poeta não tem coleira,
Não cala seus desagrados…
Nem dão por mal empregados
D’apelo ou revolta, os gritos…
Pois na esfera dos escritos
Há poetas consagrados.
 
VI
Tu… Ulisses… eu te digo…
Que num lote excepcional
De poetas de Portugal…
Também lá estás, caro amigo,
Tendo o limbo como abrigo.
Não tens nome em editais
Menções fúteis e banais…
Teus versos são estandarte,
Poemas com tanta arte,
Que nunca morrem… jamais!
 
VII
Talvez (quem sabe...) algum dia,
O País te vá louvar…
Apenas pra te endeusar
Sem a menor serventia.
Nada disso te servia…
Ambições? … Não tinhas tais!
Para ti eram vitais
O amor, a honra, o saber…
E poemas teus os ver
Em livros, cantos, jornais.
 
VIII
Tua vida foi modesta…
E apesar de virtuoso
Nunca foste homem vaidoso
Foste sim figura lesta.
Nunca deixavas aresta
Nem frases inacabadas!
Em rimas emparelhadas
Ou em sonetos! … Vigora
O mesmo dom dos que, agora,
Suas obras são lembradas.
 
IX
Foste de muitos o guia
Que bons caminhos mostrou…
O mestre que não ficou
P’lo limiar da fasquia.
Sei de alguém que aqui diria
Teres as veias opadas
De poemas e baladas…
Que algum dia inda serão,
Diz-me assim o coração,
Por grandes vozes cantadas.
 
X
Neste aranzel versejado
Que aqui te deixo, com gosto,
Declaro o grande desgosto
Contigo não ter privado…
Mas tens teu nome gravado
A ouro, nos meus portais.
Nós aqui, pobres mortais…
Sabemos que os bons poetas
Têm no Céu as banquetas
Em suma… são imortais!
         Albertino Galvão

 

publicado por appoetas às 13:09

Março 19 2009

PAI


Estava azul o firmamento
A flores o ar rescendia
Não senti passar o tempo
Nesta paz que me envolvia.

Recebi um beijo teu
Foi-me trazido p’lo vento
Sorriste só um momento
E o mármore frio aqueceu.

 

Da minha vida o rosário
As contas fui desfiando
Derrotas, pequenas glórias
Uma a uma fui contando.

 

Sem dor e sem amargura
Só com saudade-ternura
Por não te ter a meu lado
Não teres acompanhado
A vida que em mim nasceu
Uma rosa pequenina
Dos meus olhos a menina
Como fui dos olhos teus.

 

 

Uma saudade-pungente
Quando só no meio da gente
Precisava dos teus braços
Para aliviar o cansaço
De contra a maré remar
Lutar e não me afundar
Não dar ouvidos à dor
Vencer cada Bojador.

 

Sem tábua de salvação
Sem barco, usei as mãos
Nadei, nadei sem parar
Até meu porto alcançar
Na terra onde nasci
Meu tronco, minha raiz.

 

Assim foi que me ensinaste
Mas quando exausta fiquei
Ontem, hoje, perguntei:
Pai, por que me abandonaste?”

 

Maria Ivone Vairinho

 

 

publicado por appoetas às 11:17

Março 08 2009
 

 

EUCLIDES CAVACO

 

 

 

 
EM JEITO DE CARTÃO DE FELICITAÇÕES
 
A todas as mulheres que não foram o que deveriam ter sido
e as que ainda não são o que têm direito a ser .
 
Depois do poema SER MULHER, que ainda pode ver e ouvir aqui:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Ser_Mulher/index.htm
 
Deixo mais este meu poema feito fado: MULHER, ESPOSA E MÃE
interpretado pela Júlia Leal , com votos de Feliz dia da Mulher... ouça-o aqui:
http://www.euclidescavaco.com/Fados_E_Musicas/Mulher_Esposa_e_Mae/index.htm
 
Poderá deixar o seu comentário no meu Livro de Visitas.
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
 
Venha tomar comigo um cálice de poesia...
Entre por aqui na minha sala de visitas:
www.ecosdapoesia.com
 
 
PARA OS MEUS AMIGOS MUITO ESPECIAIS
 
INSIGNE MARCENEIRO, é o poema declamado com que presto merecido preito
a um dos mais ilustres vultos da Canção Nacional que foi Alfredo Marceneiro.
Veja e ouça o poema neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Insigne_Marceneiro/index.htm
ou em poema da semana neste meu espaço:
www.euclidescavaco.com
 
 
 
publicado por appoetas às 19:35

Março 08 2009

ADA TAVARES

 

PERDI DUAS LÁGRIMAS

 

Perdi
 Duas lágrimas
   Na chuva da Cidade
   Ninguém quis agarrá-las
    Geladas de Verdade…

 

Perdi
 Duas lágrimas
  Na chuva da Cidade
   Ninguém vai segurá-las
    Que há Mares, Rios e Valas
     Sedentos a sugá-las
      Rumo à Eternidade…

 

Perdi
 Duas lágrimas
  Na chuva da Cidade
   Um dia irão achá-las
    E alguém recuperá-las
     De Mim
      Para a SAUDADE

 

OBRIGADA!, a ALMADA, que recuperou as minhas lágrimas,
   DE MIM PARA A SAUDADE!


ADA TAVARES 


publicado por appoetas às 18:57

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